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Chuva de estrelas das Perseidas este Domingo

09 Ago 2018 - 15h30 - 4.244 caracteres

O Universo é tudo menos estático e monótono. Todos os corpos celestes, desde os grandes aglomerados de galáxias, até aos átomos das nubelosas e às poeiras interesterales estão em movimento.

A viagem da Terra em redor do Sol, que se repete todos os anos, também não é monótona: deslocando-se a uma velocidade média de 30 Km/s, a Terra atravessa diversas paisagens, caminhos de poeiras testemunhas da visita de diversos cometas ao nosso sistema solar. A nossa transumância solar conta-nos histórias do Cosmos. Nessa viagem, o deslumbramento do céu inspira arte e o melhor da Humanidade.

Neste Domingo à noite, olhemos para o céu estrelado e deixemo-nos banhar por poeira cósmica. Poderemos presenciar o momento alto da “chuva de estrelas” das Perseidas. Todos os anos, na noite de 12 para 13 de Agosto, não precisamos de procurar muito para impressionar de movimento meteorítico a retina ao olhar a abóbada celeste. É que o planeta Terra atravessa, nessa altura do ano, uma região do espaço interplanetário semeado de meteoróides, pouco maiores do que uma ervilha, e que polvilham o caminho percorrido pela cauda do gigante cometa periódico Swift-Tuttle (cerca de 28 km de diâmetro!) na sua órbita ao redor do Sol, a qual demora 133 anos terrestres! O primeiro registo de observação da passagem deste cometa é de origem chinesa e data do ano 69 a.C. O último ocorreu em 1992, data da sua redescoberta.

Como acontece com qualquer outro cometa, quando se aproxima do Sol, o aumento dantesco na temperatura faz com que pequenos fragmentos do núcleo do cometa se desprendam e desenhem no espaço a trajectória da órbita deste. O nosso planeta atravessa em Agosto o rasto meteorítico da órbita do Swift-Tuttle, e um observador no hemisfério norte terá a sensação de contemplar uma chuva de meteoros que aparentam jorrar de uma única origem (a radiante) na esfera celeste, próxima da constelação de Perseus (por isso o nome de Perseidas).

Uma pausa para definir alguns nomes que muitas vezes aparecem trocados e mal utilizados. Segundo o Observatório Astronómico de Lisboa, “designa-se por meteoro o fenómeno luminoso resultante da entrada na atmosfera da Terra de um corpo sólido proveniente do espaço; e por meteoróide um objecto sólido que se desloca no espaço interplanetário, de dimensões consideravelmente mais pequenas do que as de um asteróide e bastante maiores do que as de um átomo ou molécula. Os meteoróides que penetram na atmosfera terrestre dão origem aos meteoros (estrelas cadentes) e, neste caso, quando o meteoróide ou uma fracção dele atinge a superfície da Terra, sem ser completamente volatilizado, chama-se meteorito.”

É comum observar nesta chuva das Perseidas uma centena de meteoros no espaço de uma hora, riscando a abóbada a uma velocidade média de entrada de cerca de 59 km/s (dados do Observatório Astronómico de Lisboa).

O pico mais intenso das Perseidas ocorre a partir das 21 horas do dia 12 até às 8 horas do dia 13. Como a constelação de Perseus só aparecerá acima do horizonte a Nordeste pelas 23 horas, a observação só será possível em Portugal a partir desta hora.

Este ano temos a Lua a nosso favor, pois a fase de Lua Nova ocorrerá no dia 11 de Agosto pelas 10h58 horas. Esta é uma boa notícia para a observação este ano das Perseidas: Mas será também possível observar durante esta data os planetas Marte, Saturno e Júpiter durante a mesma noite.

Preparemo-nos, assim, para uma noite deslumbrante com a observação da abóbada celeste que sempre inspirou a imaginação humana.

 

António Piedade


© 2018 - Ciência na Imprensa Regional / Ciência Viva


António Piedade

António Piedade é Bioquímico e Comunicador de Ciência. Publicou mais 700 artigos e crónicas de divulgação científica na imprensa portuguesa e 20 artigos em revistas científicas internacionais. É autor de sete livros de divulgação de ciência: "Íris Científica" (Mar da Palavra, 2005 - Plano Nacional de Leitura),"Caminhos de Ciência" com prefácio de Carlos Fiolhais (Imprensa Universidade de Coimbra, 2011), "Silêncio Prodigioso" (Ed. autor, 2012), "Íris Científica 2" (Ed. autor, 2014), "Diálogos com Ciência" (Ed. autor, 2015) prefaciado por Carlos Fiolhais, "Íris Científica 3" (Ed. autor, 2016), "Íris Científica 4" (Ed. autor, 2017). Organiza regularmente ciclos de palestras de divulgação científica. Profere palestras de divulgação científica em escolas e outras instituições.


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