Registo | Contactos

Novo livro do “Poeta do Espaço”

17 Ago 2018 - 15h36 - 4.110 caracteres

Hubert Reeves, astrofísico nascido em 1932 na cidade de Montreal, no Canadá, tem-se destacado como um dos mais prolíficos e populares divulgadores de astronomia e astrofísica a nível mundial. Com mais de uma dezena de livros de divulgação científica publicados em diversos países, que alcançaram muito sucesso, Reeves destaca-se pela sua escrita translúcida e acessível, mas que mantém o rigor científico, escrita pautada com um estilo poético que o caracteriza e que, por isso, é por muitos considerado como o “Poeta do Espaço”.

Entre nós, as obras de Hubert Reeves têm sido publicadas pela editora Gradiva, principalmente na sua prestigiada colecção “Ciência Aberta”. O primeiro, “Um pouco mais de Azul”, publicado em 1983, foi logo o número 2 desta colecção. O leitor encontra na “Ciência Aberta” os outros títulos deste autor, cuja leitura continua sempre interessante e actual.

E, neste último mês de Julho, foi publicado o mais recente livro deste cativante astrofísico: tem por título “O Banco do Tempo que Passa – Meditações Cósmicas”, e é o número 228 da colecção “Ciência Aberta” da Gradiva.

Com tradução de Tiago Marques e revisão científica de Carlos Fiolhais, este novo livro de Hubert Reeves é destinado a todos os que se questionam sobre a natureza do Universo, sobre as questões imemoriais e primordiais da Humanidade, sobre as novas questões que o conhecimento científico tem feito desabrochar, sobre as questões que ainda não têm resposta e que nos inquietam. Como escreve Hubert Reeves no Preâmbulo, “este livro destina-se a todos os que se interrogam sobre o grande mistério da realidade na qual o nascimento nos pôs a viver durante algum tempo”. É um livro para todos.

Ao longo de 336 páginas, Hubert Reeves partilha connosco as suas reflexões e a sua visão do Universo em que coabitamos e convida-nos a participar nesta aventura Humana que é a de sermos capazes de nos interrogar sobre a nossa própria existência, sobre as nossas origens e o nosso destino.

Com uma liberdade de pensamento genuína e livre de preconceitos, mantendo uma consciência lúcida sobre a incompletude do conhecimento científico e o papel crucial da dúvida, do erro e da incerteza na ciência, com uma humildade que advém da consciência da ainda muita ignorância que detemos sobre como o Universo “funciona”, Reeves reflecte connosco sobre a existência de Deus, sobre a necessidade de humanizar a Humanidade, sobre as alterações climáticas, sobre a evolução do Universo desde o Big Bang até ao aparecimento da consciência neste planeta azul, sobre o papel do acaso na evolução e no aumento da complexidade do Universo, entre muitos outros assuntos com que todos somos confrontados ao longo da nossa viagem pela vida.

Carlos Fiolhais escreve que este “é o livro dos livros de Reeves: uma súmula dos seus pensamentos sobre o Universo e sobre nós próprios”. E é, de facto, um privilégio podermos partilhar com o Hubert Reeves o seu conhecimento e cultura, o seu fascínio pela música e outras formas de arte que são, segundo o astrofísico, as expressões mais maravilhosas da evolução da vida no nosso planeta.

Sentemo-nos com Hubert Reeves neste seu “Banco do Tempo que Passa” e enriqueçamo-nos com os diálogos que ele estabelece com o leitor. Um livro para ler e reler ao acaso da nossa liberdade de escolha e interesse.

 

António Piedade


© 2018 - Ciência na Imprensa Regional / Ciência Viva


António Piedade

António Piedade é Bioquímico e Comunicador de Ciência. Publicou mais 700 artigos e crónicas de divulgação científica na imprensa portuguesa e 20 artigos em revistas científicas internacionais. É autor de sete livros de divulgação de ciência: "Íris Científica" (Mar da Palavra, 2005 - Plano Nacional de Leitura),"Caminhos de Ciência" com prefácio de Carlos Fiolhais (Imprensa Universidade de Coimbra, 2011), "Silêncio Prodigioso" (Ed. autor, 2012), "Íris Científica 2" (Ed. autor, 2014), "Diálogos com Ciência" (Ed. autor, 2015) prefaciado por Carlos Fiolhais, "Íris Científica 3" (Ed. autor, 2016), "Íris Científica 4" (Ed. autor, 2017). Organiza regularmente ciclos de palestras de divulgação científica. Profere palestras de divulgação científica em escolas e outras instituições.


Veja outros artigos deste/a autor/a.
Escreva ao autor deste texto

Ficheiros para download Jornais que já efectuaram download deste artigo