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Explorar o “coração” de Marte

27 Nov 2018 - 12h02 - 2.629 caracteres

Marte sempre estimulou a imaginação humana, alimentou sonhos, forjou ficções científicas que hoje em dia, com o avanço da ciência e da tecnologia que permitiram várias missões exploratórias ao planeta vermelho, começam a tornar-se uma realidade próxima de ser concretizada. Fazer chegar o primeiro ser humano a Marte já está nas agendas das agências espaciais. Não temos notícia da existência de marcianos verdes, nem de outra cor, mas a eventual existência de vida microscópica pode ser descoberta a qualquer momento.

Mas para planear científica e tecnologicamente uma ida humana a Marte, há ainda um oceano imenso de desconhecido. Não se conhece bem a geologia interna e a actividade sísmica do planeta, não se sabe qual a frequência e magnitude do impacto de meteoritos na sua superfície, não se sabe da existência ou não de água em quantidade apreciáveis no subsolo marciano.

Para explorar melhor Marte e tentar responder a estas e outras questões, acaba de amartar na superfície do quarto planeta a contar do Sol, mais precisamente na região designada por Elysium Planitia, a sonda InSight (https://mars.nasa.gov/insight/ ) da Agência Espacial Norte Americana, NASA, que também leva ciência e tecnologia europeia. A chegada à superfície de Marte ocorreu no dia 26 de Novembro cerca das 19h54 (hora continental portguesa).

Para a astrobióloga portuguesa Zita Martins, professora no Instituto Superior Técnico, em Lisboa, um aspecto interessante é que esta “missão irá estudar a temperatura do interior de Marte permitindo determinar se existe água na forma líquida no subsolo de Marte. A água no estado líquido é um dos requisitos necessários para um planeta ser habitável, isto é ter as condições para a vida existir.”

A InSight vai ser a primeira missão a estudar as profundezas do planeta através de um sismógrafo muito sensível e de um magnetómetro. A superfície vai ser perfurada a uma profundidade de 15 metros, algo nunca antes feito pelas missões exploratórias anteriores. O conhecimento que se espera obter com as experiências que vão ser realizadas é imenso e pode dar-nos algumas surpresas nos próximo dois anos.

 

António Piedade


© 2018 - Ciência na Imprensa Regional / Ciência Viva


António Piedade

António Piedade é Bioquímico e Comunicador de Ciência. Publicou mais 700 artigos e crónicas de divulgação científica na imprensa portuguesa e 20 artigos em revistas científicas internacionais. É autor de oito livros de divulgação de ciência: "Íris Científica" (Mar da Palavra, 2005 - Plano Nacional de Leitura),"Caminhos de Ciência" com prefácio de Carlos Fiolhais (Imprensa Universidade de Coimbra, 2011), "Silêncio Prodigioso" (Ed. autor, 2012), "Íris Científica 2" (Ed. autor, 2014), "Diálogos com Ciência" (Ed. autor, 2015) prefaciado por Carlos Fiolhais, "Íris Científica 3" (Ed. autor, 2016), "Íris Científica 4" (Ed. autor, 2017), "Íris Científica 5" (Ed. autor) prefaciado por Carlos Fiolhais. Organiza regularmente ciclos de palestras de divulgação científica, entre os quais, o já muito popular "Ciência às Seis". Profere regularmente palestras de divulgação científica em escolas e outras instituições.


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