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Pipocas com telemóvel e outras histórias de falsa ciência

13 Nov 2012 - 15h23 - 3.400 caracteres

António Piedade (AP) - Porque é que escreveram este livro?

David Marçal (DM) - É um tema que interessa a ambos, sobre o qual escrevemos habitualmente no nosso blogue "De Rerum Natura". E é um tema muito relevante porque somos diariamente confrontados com afirmações aparentemente baseadas na ciência, mas que de ciência não têm mesmo nada. Há coisas que caracterizam a ciência e outras a falsa ciência. Com este livro, esperamos ajudar os leitores a  distinguirem umas das outras. Comunicamos ciência apresentando, com algum humor, casos de não-ciência.

 

AP - Que tipo de leitores é que tinham em mente quando o escreveram?

 

Carlos Fiolhais (CF) - Procurámos chegar ao maior público possível. Não desejamos menos do que um "best-seller"! A maior parte dos temas abordados vêm do dia-a-dia das pessoas. Na internet, nos jornais, nos supermercados, em anúncios televisivos, nas farmácias, etc. Os leitores estarão interessados em saber mais sobre as alegações de validade científica com que são confrontados em inúmeras situações. Há muitas tretas que são servidas como verdades. Não é só a astrologia, muito antiga: hoje prometem-se curas quânticas, que não têm a ver com a teoria quântica.

 

AP - Que tipo de leitores esperam que o leiam?

 

DM- Leitores interessados em ciência, decerto, mas não necessariamente com formação científica. basta que tenham curiosidade. Mesmo quem seja especialista numa determinada área vai ficar a saber coisas que não sabia. Quem não seja especialista, ficará a saber mais sobre várias áreas. Deixar-se-á enganar menos facilmente.

 

AP - Porque é que escolheram este título para o livro?

 

CF- Pensámos que muita gente se iria lembrar de um famoso video que circulou na Internet, que mostrava a preparação de pipocas com telemóveis. Uma treta, claro. E porque essa situação ilustra bem as características da ciência e a atitude crítica que desmascara a falsa ciência. Mesmo não sabendo nada acerca de milho, telemóveis ou radiações, basta uma experiência simples para concluir que não é possível fazer pipocas com telemóvel. A experiência é a base do conhecimento científico. E, neste caso, o leitor pode experimentar.

AP - Há mais adesão às pseudociências em Portugal do que em outros países? Porquê?

 

DM- Apesar de haver situações específicas em cada país, também a falsa ciência está globalizada. Há cá como nos outros lados. Os produtos de consumo (como iogurtes milagrosos e remédios homeopáticos) ou as notícias disparatadas não conhecem fronteiras. Claro que há coisas que encontram mais adesão nuns países do que noutros. No livro indicamos alguns casos nacionais.

 

AP - Fazia falta um livro deste género escrito por portugueses. Porque é só agora é que o escreveram?

 

CF- No livro "Darwin aos Tiros", que já vai na 3.ª edição, o último capítulo é sobre falsa ciência e achámos que seria um bom tema para aprofundar no livro seguinte. Disseram-nos que era uma das partes mais interessantes do livro anterior. Mas pode ler-se este livro sem o outro.

 

AP - Como classificam a evolução da divulgação de ciência em Portugal nas últimas décadas?

 

DM- Ímpar. Temos que destacar o papel da Gradiva, designadamente através da sua colecção Ciência Aberta, que conta já com 30 anos e quase 200 obras publicadas. A Ciência Viva, assim como várias associações e instituições de investigação científica, têm sido excelentes nesta área. É uma aposta que deve ser mantida e reforçada pois sem ciência não temos futuro.

 

António Piedade

Ciência na Imprensa Regional – Ciência Viva


© 2012 - Ciência na Imprensa Regional / Ciência Viva


António Piedade

António Piedade é Bioquímico e Comunicador de Ciência. Publicou mais 500 artigos e crónicas de divulgação científica na imprensa portuguesa e 20 artigos em revistas científicas internacionais. É autor de sete livros de divulgação de ciência: "Íris Científica" (Mar da Palavra, 2005 - Plano Nacional de Leitura),"Caminhos de Ciência" com prefácio de Carlos Fiolhais (Imprensa Universidade de Coimbra, 2011), "Silêncio Prodigioso" (Ed. autor, 2012), "Íris Científica 2" (Ed. autor, 2014), "Diálogos com Ciência" (Ed. autor, 2015) prefaciado por Carlos Fiolhais, "Íris Científica 3" (Ed. autor, 2016), "Íris Científica 4" (Ed. autor, 2017).


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