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Uma visita politicamente incorrecta ao cérebro humano

24 Abr 2013 - 22h22 - 3.780 caracteres

«Será a mente humana capaz de descobrir qualquer coisa que a transcenda» questiona o eminente neurocientista Alexandre Castro Caldas na introdução do seu mais recente livro “Uma visita POLITICAMENTE INCORRECTA ao cérebro humano”. Publicado em Fevereiro de 2013 pela editora Guerra & Paz, este livro apresenta e desvenda as novidades do conhecimento que as neurociências têm alcançado sobre esse órgão, o cérebro, que o leitor está a usar para entender o que está a ler agora mesmo.

«Quem somos então, o que somos nós, o que é que o cérebro e as suas funções?» pergunta-nos Alexandre Castro Caldas, para logo responder que as “páginas deste livro não pretendem ser resposta, mas pretendem abrir portas para a reflexão”.

O livro está escrito com uma linguagem muito simples. Os casos clínicos que ajudam a entender melhor como o nosso cérebro funciona são apresentados para que qualquer um de nós os entenda e logo entenda melhor como o seu próprio cérebro funciona. As notas e as referências bibliografias são dispensadas nesta visita POLITICAMENTE INCORRECTA ao cérebro humano, o que torna fluida a leitura deste livro. 

Sublinhe-se que Alexandre Castro Caldas começou a sua carreira de investigação científica de excelência com António Damásio, em 1970, ficando a dirigir o Laboratório de Estudos de Linguagem, quando, em 1975, Damásio deixou o nosso país.

Mas voltemos ao livro. Está estruturado em dez capítulos que o leitor pode ler pela ordem que entender, eventualmente movido pela sua maior curiosidade, ou interesse por um dado aspecto do nosso cérebro.

No primeiro capítulo “reflecte-se sobre a forma como acreditamos nas coisas”.

No segundo discute-se como a consciência humana pode ter começado “num sonho”.

“Conhece-te a ti mesmo” é o título do terceiro capítulo, no qual de descreve “como o cérebro interage com o sensível”.

No quarto, intulado “quem fui eu, quem sou eu” Castro Caldas discute a questão da identidade.

“Quem és tu? Que casa é esta”, intitula o quinto capítulo que apresenta casos em que o cérebro processa mal a informação sobre o que lhe está próximo, como sejam as pessoas da sua família e os locais que lhe são habituais.

O sexto capítulo é dedicado a aspectos marcantes da personalidade: “quando se faz aquilo que s enão quer fazer” e “o livre-arbítrio”, levando-nos a reflectir sobre a questão da vontade própria.

Abordando aspectos anatómicos, mas funcionais, o sétimo capítulo apresenta ao leitor a realidade da “Dominância Cerebral” e discute-se sobre qual manda, se o hemisfério esquerdo se o direito e quando.

O género sexual e a sua influência sobre o cérebro, um “tema de tanto estimula a imaginação”, é tratado no oitavo capítulo.

Numa época em que vivemos sob a influência de uma nova, globalmente esmagadora tecnologia de informação, Castro Caldas descreve no nono capítulo como “Manter o cérebro em forma” numa aproximação aos desafios modernos da “interacção entre o natural e o artificial”.

Por fim o décimo capítulo, o qual, como os outros, pode ser lido em primeiro lugar: “Experiências de quase-morte” é o seu título e nele se desmistificam as fantasias, as ilusões geradas pelo cérebro sobre a memória de experiências traumáticas na “fronteira abrupta” entre a vida e a morte.

A leitura deste livro é uma experiência rica em que o autor nos ajuda a compreender melhor o mundo em que vivemos ao explicar com o com conhecimento actual como é que o cérebro compreende e funciona no mundo em que vive.

No panorama actual da literatura de divulgação científica portuguesa em geral, e das neurociências em particular, este livro destaca-se pela sua actualidade científica, pela sua simplicidade rigorosa e pela sua utilidade para o leitor que com ele se compreende melhor. A ler. A reler.

 

António Piedade

Ciência na Imprensa Regional – Ciência Viva


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António Piedade

António Piedade é Bioquímico e Comunicador de Ciência. Publicou mais 500 artigos e crónicas de divulgação científica na imprensa portuguesa e 20 artigos em revistas científicas internacionais. É autor de sete livros de divulgação de ciência: "Íris Científica" (Mar da Palavra, 2005 - Plano Nacional de Leitura),"Caminhos de Ciência" com prefácio de Carlos Fiolhais (Imprensa Universidade de Coimbra, 2011), "Silêncio Prodigioso" (Ed. autor, 2012), "Íris Científica 2" (Ed. autor, 2014), "Diálogos com Ciência" (Ed. autor, 2015) prefaciado por Carlos Fiolhais, "Íris Científica 3" (Ed. autor, 2016), "Íris Científica 4" (Ed. autor, 2017).


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