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Aumentam os casos de asma em crianças do distrito de Coimbra

07 Fev 2014 - 16h15 - 5.403 caracteres

Num estudo a ser publicado num próximo número da Revista Portuguesa de Pneumologia, com o título "Prevalência dos sintomas de asma e rinite nas crianças a viver em Coimbra, Portugal", três investigadoras da Universidade de Coimbra apresentam o resultado de um inquérito sobre a prevalência da asma e rinite em crianças no distrito de Coimbra.

Apesar de existir muito pouca informação na última década sobre a prevalência de asma e rinite na infância em Portugal (o que não nos pode deixar de espantar), este estudo é o primeiro a explorar este assunto dentro da faixa etária 6-8 anos. Sobre os resultados, Magdalena Muc, primeira autora do artigo e investigadora do Departamento das Ciências da Vida da UC, diz que os dados agora obtidos só se podem “comparar com as prevalências nacionais e de outras cidades portuguesas (Porto, Lisboa, Portimão e Funchal)” registados num estudo de 2002. “Relativamente a estas cidades (exceto o Funchal), observamos um aumento do nível da asma e pieira nas crianças residentes em Coimbra”, refere a investigadora.

O estudo, que recolheu informação sobre uma amostra de 1037 crianças, do 1º e 2º ano de escolaridade, de 32 escolas (28 públicas e 4 provadas) do distrito de Coimbra, observou pelo menos um episódio de asma ao longo da vida em 10,4% da população estudada. 35,2% das crianças tiveram pieira e 11,8% sofreram um ataque de asma durante o ano de 2012. Também foi registada uma prevalência de casos de rinite ao longo da vida em 22,8% das crianças estudadas.

O aumento do número de casos relatados de asma e rinite em crianças em Coimbra é preocupante. “A asma é uma das doenças crónicas mais comum em pediatria. Os problemas de asma e rinite na infância estão relacionados não só com sintomas físicos caracterizados por um elevado nível de morbidade e desconforto, mas também com uma baixa autoestima e absentismo escolar. Por esta razão existe a necessidade de monitorizar as prevalências e incidências destas doenças na população infantil”, disse-nos Magdalena Muc.

“O aumento global das doenças alérgicas e asma é atribuído a alterações do estilo de vida”, explica a investigadora e acrescenta que “os últimos resultados (ainda não publicados) que obtivemos, mostraram uma maior prevalência de pieira entre as crianças das famílias com nível socioeconómico mais elevado e as crianças que vivem nas zonas urbanas”.

Em relação à razão do aumento verificado Magdalena Muc refere que “o aumento destas doenças pode ser por parte explicado pelas alterações comportamentais e ambientais. São exemplo, a vida sedentária, o aumento de obesidade (que foi provado ter forte influencia na asma), a substituição da dieta tradicional (mediterrânea) por uma dieta rica em alimentos processados e com baixo teor nutricional e a poluição do ar.”

A investigadora sublinha ainda que “a prevalência de sintomas de asma e rinite em Coimbra é preocupante e os fatores ambientais e de estilo de vida têm um papel importante. Isto significa que muitos dos casos relatados neste estudo poderiam ter sido evitados. Como estas doenças estão associadas a elevados custos económicos para os sistemas de saúde pública, o reconhecimento profundo dos fatores de risco e introdução consecutiva das intervenções no estilo de vida e programas de prevenção são de grande importância. Temos a intenção de divulgar os nossos resultados nas escolas e nas famílias participantes do nosso estudo, tendo em conta que o acesso à informação e compreensão do problema são as principais armas para combater as epidemias da asma e rinite.”

O próximo passo deste estudo será “estudar os fatores de risco envolvidos no desenvolvimento e na severidade dessas duas condições, particularmente fatores socioeconômicos e ambientais, com objetivo de obter uma melhor compreensão dos padrões destas doenças na população infantil de Coimbra. Este é um passo necessário para elaborar programas e projetos mais eficazes de prevenção e intervenção”, conclui Magdalena Muc.

São também co-autoras do presente estudo Cristina Padez, do Departamento de Ciências da Vida UC, CIAS - Centro de Investigação em Antropologia e Saúde, e Anabela Mota-Pinto, do Laboratório de Patologia Geral da Faculdade de Medicina da UC. O estudo teve o apoio da Fundação para a Ciência e Tecnologia através de uma bolsa de doutoramento (SFRH/BD/66877/2009).

 

António Piedade

 


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António Piedade

António Piedade é Bioquímico e Comunicador de Ciência. Publicou mais 500 artigos e crónicas de divulgação científica na imprensa portuguesa e 20 artigos em revistas científicas internacionais. É autor de sete livros de divulgação de ciência: "Íris Científica" (Mar da Palavra, 2005 - Plano Nacional de Leitura),"Caminhos de Ciência" com prefácio de Carlos Fiolhais (Imprensa Universidade de Coimbra, 2011), "Silêncio Prodigioso" (Ed. autor, 2012), "Íris Científica 2" (Ed. autor, 2014), "Diálogos com Ciência" (Ed. autor, 2015) prefaciado por Carlos Fiolhais, "Íris Científica 3" (Ed. autor, 2016), "Íris Científica 4" (Ed. autor, 2017).


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