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O pequeno dinossáurio português que viveu no tempo dos gigantes

16 Set 2014 - 12h32 - 3.288 caracteres
Género: Artigos. Áreas: Paleontologia
Por: António Piedade

Várias jazidas do Jurássico Superior encontradas nos últimos anos na região centro-oeste de Portugal são especialmente ricas em restos de dinossáurios e outros vertebrados. Esta riqueza tem permitido aumentar consideravelmente o conhecimento sobre as espécies que viviam no território português há cerca de 150 milhões de anos.

O exemplo mais recente é a descoberta de uma nova espécie de dinossáurio ornitópode que viveu no território português há 152 milhões de anos. Foi denominado Eousdryosaurus nanohallucis que significa “o dryossáurio do oriente com polegar reduzido” e pertence à Colecção Paleontológica da Sociedade de História Natural (SHN), com sede em Torres Vedras (http://www.shn.pt/). A descoberta foi publicada na revista internacional “Journal of Vertebrate Paleontology” e representa uma nova espécie de dinossauro ornitópode fruto de um trabalho de investigação que demorou 15 anos, levado a cabo por uma equipa composta por elementos da SHN mas também do Grupo de Biologia Evolutiva da UNED, em Espanha, e da Universidade de Lisboa

Este novo ornitópode dryossáurio  (grupo de pequenos dinossauros bípedes, herbívoros, ou mais correctamente fitófagos) pertence a um género caracterizado por ser muito possivelmente ágil e veloz que existiu nos territórios da Europa, América do Norte e África durante o final do período do Jurássico e início do Cretácico.

Este novo dinossauro português foi encontrado em 1999 por José Joaquim, um paleontólogo amador que tem dedicado os últimos 20 anos da sua vida à prospeção de cerca de 80 km na zona da costa litoral oeste, tendo doado todo o seu espólio à câmara de Torres Vedras para integrar depois a coleção da Sociedade de História Natural.

A avaliar pelas dimensões do exemplar descoberto num bloco caído das arribas na Praia de Porto das Barcas, na Lourinhã, era um dinossauro pequeno (com apenas 1,60 metros de comprimento) que viveu, como já se disse, no período do Jurássico Superior, o tempo dos dinossauros gigantes.

Despois de 15 anos de tratamento e investigação minuciosa, o exemplar, em muito bom estado de preservação segundo a SHN, consiste num esqueleto parcial do qual se encontram representados elementos da cauda, da cintura pélvica (pélvis) e das patas posteriores. Neste exemplar é de destacar a presença de um pé completo que permitiu verificar que o Eousdryosaurus possuía um polegar reduzido (dedo I) e dirigido posteriormente, uma das características distintivas desta nova espécie.
Este dinossáurio encontrado em Portugal é ligeiramente mais pequeno que os exemplares mais bem conhecidos deste grupo, como é o caso do representante Norte-americano Dryosaurus.

António Piedade


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António Piedade

António Piedade é Bioquímico e Comunicador de Ciência. Publicou mais 500 artigos e crónicas de divulgação científica na imprensa portuguesa e 20 artigos em revistas científicas internacionais. É autor de sete livros de divulgação de ciência: "Íris Científica" (Mar da Palavra, 2005 - Plano Nacional de Leitura),"Caminhos de Ciência" com prefácio de Carlos Fiolhais (Imprensa Universidade de Coimbra, 2011), "Silêncio Prodigioso" (Ed. autor, 2012), "Íris Científica 2" (Ed. autor, 2014), "Diálogos com Ciência" (Ed. autor, 2015) prefaciado por Carlos Fiolhais, "Íris Científica 3" (Ed. autor, 2016), "Íris Científica 4" (Ed. autor, 2017).


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