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Prémios Mariano Gago

12 Jun 2015 - 18h57 - 3.654 caracteres

Continua a florir o reconhecimento internacional à obra realizada por José Mariano Gago no desenvolvimento da cultura científica. A cultura científica resulta da interacção dinâmica entre a ciência e a sociedade. E, por isso, é ainda mais significativo por o reconhecimento ter sido agora efectuado pela Ecsite - Rede Europeia de Centros e Museus de Ciência, que decorreu na semana passada em Trento (Itália).

A partir de agora, o mais prestigiado prémio europeu de museologia científica tem o nome Mariano Gago Ecsite Awards. Foi esta a forma encontrada pelos museus e centros de ciência europeus para reconhecer a intervenção de Mariano Gago no campo da cultura científica na Europa e no mundo.

A proposta, que partiu de antigos dirigentes desta organização, com os quais o ex-ministro da Ciência e físico português José Mariano Gago colaborou activamente nos últimos anos, foi formalmente aprovada pela direcção desta instituição, que representa perto de 400 museus e centros de ciência distribuídos por 50 países e anualmente visitados por cerca de 40 milhões de pessoas, segundo um comunicado da Ciência Viva - Agência Nacional para a Cultura Científica e Tecnológica.

Nesta sua primeira edição, os prémios Ecsite Mariano Gago contemplaram apenas uma categoria, a de criatividade, mas prevê-se que outras surjam em edições futuras. O montante do premio é de 7500 euros, provenientes da Fundação Ernest Solvay, gerida pela Fundação Rei Balduíno (Bélgica).

“O Prémio Ecsite de Criatividade distingue soluções criativas na área da comunicação e da promoção da ciência. É outorgado a uma organização que tenha desenvolvido uma acção ou programa inovadores (…) nos últimos dois anos”, pode ler-se na página online da Ecsite.

O júri do prémio deste ano foi composto por Annemies Broekgaarden (Rijksmuseum, Holanda), Carlos Coelho (empresa Ivity, Portugal), Dariusz Jemielniak (Universidade Kozminski, Polónia) e Jean-Louis Kerouanton (Universidade de Nantes, França).

E o primeiro prémio Ecsite Mariano Gago, atribuído na passada quinta-feira pela Rede Europeia de Centros e Museus de Ciência, foi atribuído ao Museu Norsk Teknisk, em Oslo, pela exposição Ting. A exposição é “uma experiência participativa, imersiva, que explora as ligações complexas entre a tecnologia e a democracia”, disse Rosalia Vargas, presidente da Ciência Viva e actual presidente da Ecsite, citada no comunicado que anunciou o prémio.

A exposição norueguesa aproveitou o bicentenário da constituição do país e o centenário de vida do próprio museu, em 2014, para questionar os visitantes sobre o impacto de novas tecnologias, como as análises genéticas, as impressoras 3D ou os drones, na democracia.

O juri elogiou a ambição e coragem do projecto para tornar o museu “num espaço para o discurso público e onde se advoga os valores democráticos”.

É assim que a ciência tem de ser: aberta e em diálogo com a sociedade democrática.

 


© 2015 - Ciência na Imprensa Regional / Ciência Viva


António Piedade

António Piedade é Bioquímico e Comunicador de Ciência. Publicou mais 500 artigos e crónicas de divulgação científica na imprensa portuguesa e 20 artigos em revistas científicas internacionais. É autor de sete livros de divulgação de ciência: "Íris Científica" (Mar da Palavra, 2005 - Plano Nacional de Leitura),"Caminhos de Ciência" com prefácio de Carlos Fiolhais (Imprensa Universidade de Coimbra, 2011), "Silêncio Prodigioso" (Ed. autor, 2012), "Íris Científica 2" (Ed. autor, 2014), "Diálogos com Ciência" (Ed. autor, 2015) prefaciado por Carlos Fiolhais, "Íris Científica 3" (Ed. autor, 2016), "Íris Científica 4" (Ed. autor, 2017).


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