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20 anos de Ciência Viva!

24 Nov 2016 - 12h33 - 6.037 caracteres

A Agência Nacional para a Cultura Científica e Tecnológica, mais conhecida por “Ciência Viva”, foi criada como uma unidade do Ministério da Ciência e da Tecnologia, por despacho de 1 de Julho de 1996, do então Ministro da Ciência e Tecnologia, José Mariano Gago. Celebram-se, assim, 20 anos de existência este ano.

A Ciência Viva, tendo começado por ser um programa visando projetos de investigação, envolvendo alunos e professores das escolas, do básico ao secundário, com a colaboração de cientistas e de centros de investigação, actividade que rapidamente se popularizou, expandiu-se, diversificando e multiplicando as suas ações a nível nacional. A Ciência Viva criou estágios em unidades de investigação para os alunos do secundário durante as férias e expandiu-se numa rede que conta actualmente com 20 Centros Ciência Viva por todo o país.

Na opinião do distinto professor de geologia e comunicador de ciência A.M. Galopim de Carvalho, se o programa Ciência Viva “criou uma geração de jovens mais atentos, ativos e curiosos, não é menos verdade que mobilizou e marcou também os professores, investigadores e as famílias que participaram em toda esta dinâmica”.

Galopim de Carvalho acrescenta: “através de múltiplas e variadas iniciativas de promoção do ensino experimental das ciências nas nossas escolas de ensino básico e secundário, de um sem número de campanhas nacionais de divulgação científica e de um conjunto de pólos interactivos de ciência e tecnologia integrados na Rede Nacional de Centros Ciência Viva, este objectivo de aproximar os portugueses da Ciência e do trabalho dos investigadores científicos, concebido pelo saudoso Prof. José Mariano Gago, então Ministro da Ciência e Tecnologia, o “cientista que pôs a ciência na agenda política”, como escreveu Teresa Firmino, no Público, tem sido escrupulosamente cumprido por uma extraordinária equipa liderada por Rosalia Vargas.”

Para a comunicadora de ciência Joana Lobo Antunes a “Ciência Viva tem sido fundamental na aproximação dos investigadores e da ciência que se produz em Portugal ao resto da População. Hoje em dia, os já 20 Centros de Ciência espalhados pelo país e as iniciativas nacionais que a Agência promove continuam a ser centrais nessa aproximação, agora em estreita colaboração também com os gabinetes de comunicação dos institutos de investigação, que permitem também uma melhor articulação da comunidade científica com os diferentes centros e iniciativas. As sinergias sentem-se e são muito produtivas.” E, sublinha Joana Lobo Antunes, “há uma linguagem Ciência Viva, mesmo com a enorme variedade de Centros Ciência Viva sabemos sempre que entrámos num sem precisar de ler o nome na porta. Há uma vivacidade de conteúdos e de interacção com o público, uma provocação que nos faz pensar sobre os temas ao mesmo tempo que nos permite ter uma visita agradável, divertida ou até entusiasmante.”

Segundo Jorge Buescu, profícuo divulgador de matemática para todos, presidente da Sociedade Portuguesa de Matemática, “vinte anos de Ciência Viva representam toda uma geração a despertar para a Ciência. De um centro de referência como o Pavilhão do Conhecimento a uma rede de centros locais espalhados pelo País que constitui já referência a nível mundial, foram vinte anos a fazer despertar crianças e pais, escolas e professores, para a Ciência. O sucesso continuado da Ciência Viva é a forma mais vibrante de perpetuar a visão e a memória de Mariano Gago.”

O presidente da Rede de Comunicação de Ciência e Tecnologia de Portugal – SciCom Pt – António Gomes da Costa considera que “a Ciência Viva provocou duas mudanças essenciais e que são de enorme importância para a cultura científica e tecnológica em Portugal: em primeiro lugar, tornou a comunicação entre cientistas e cidadãos uma coisa habitual e corrente; isto foi essencial para começar um processo de inclusão da ciência no dia-a-dia dos cidadãos, no debate político e no desenvolvimento de todos os sectores da nossa sociedade. Em segundo lugar, contribuiu para o aumento significativo dos agentes empenhados em comunicar e divulgar ciência; isto fez com que exista hoje em dia uma massa crítica que permite o aparecimento de novas iniciativas e de protagonistas inovadores neste campo.”

Para o professor de Física e incontornável divulgador de ciência Carlos Fiolhais, "vinte anos do Ciência Viva em Portugal significam duas décadas de presença da ciência na sociedade. José Mariano Gago, que entrou para ministro da Ciência e Tecnologia em 1995, percebeu que a ciência só teria futuro em Portugal se ela encontrasse apoio social. A Agência Nacional para a Cultura Científica e Tecnológica "Ciência Viva" foi o meio de obter esse apoio. Desejo que continue por muitos anos pois a ciência não é dos cientistas, mas sim de todos os cidadãos."

Viva a Ciência Viva!

 

António Piedade


© 2016 - Ciência na Imprensa Regional / Ciência Viva


António Piedade

António Piedade é Bioquímico e Comunicador de Ciência. Publicou mais 500 artigos e crónicas de divulgação científica na imprensa portuguesa e 20 artigos em revistas científicas internacionais. É autor de sete livros de divulgação de ciência: "Íris Científica" (Mar da Palavra, 2005 - Plano Nacional de Leitura),"Caminhos de Ciência" com prefácio de Carlos Fiolhais (Imprensa Universidade de Coimbra, 2011), "Silêncio Prodigioso" (Ed. autor, 2012), "Íris Científica 2" (Ed. autor, 2014), "Diálogos com Ciência" (Ed. autor, 2015) prefaciado por Carlos Fiolhais, "Íris Científica 3" (Ed. autor, 2016), "Íris Científica 4" (Ed. autor, 2017).


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