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Voyager: 35 anos a explorar o Sistema Solar

19 Ago 2012 - 15h52 - 2.085 caracteres

Há 35 anos que foi lançada a Voyager 2, exactamente a 20 de Agosto de 1977. Esta sonda e a sua "irmã gémea", a Voyager 1 (lançada a 5 de Setembro de 1977), depois de terem explorado, pela primeira vez, os planetas gigantes (Júpiter, Saturno, Úrano e Neptuno) encontram-se hoje nos limites do Sistema Solar, sendo os "objectos tecnológicos" mais longe da Terra alguma vez feitos pelo Homem.

 

A Voyager 1, que avança para o espaço interestelar a uma velocidade de 17 km/s (61 200 km/h), encontra-se a cerca de 120 vezes a distância da Terra ao Sol. A Voyager 2, deslocando-se a 15,4 km/s (55 440 km/h), está a mais de 98 vezes a distância da Terra ao Sol.

 

Nesta exploração, cujo 35º aniversário agora se comemora, as sondas levam consigo informação sobre a vida na Terra, dirigidas a outras vidas no espaço: o famoso "Disco Dourado" que contem saudações em 55 idiomas terrestres, 155 imagens do nosso planeta, assim com 90 minutos de "música humana" e sons da biosfera.

 

Marcos da exploração espacial, depois de terem enviado as primeiras imagens tecnologicamente “modernas” sobre os quatro planetas gigantes e suas luas (algumas descobertas por estas sondas) continuam a contribuir para o conhecimento do sistema solar. As sondas comunicam semanalmente com o centro de controle no Laboratório de Propulsão a Jacto (JPL), em Passadena, Califórnia, via sinais de rádio captados pelo "Deep Space Network" (http://deepspace.jpl.nasa.gov/dsn/). Os dados enviados, por exemplo pela Voyager 1, demoram, à distância actual, cerca 16 horas e 40 minutos a atingir a rede de grandes antenas instaladas em três locais do planeta Terra (Goldstone na Califórnia, próximo de Madrid em Espanha e perto de Camberra na Austrália).

 

E continuarão a explorar e a enviar mensagens sobre o espaço a caminho das estrelas, pelo menos até 2025, altura em que os três geradores termoeléctricos de radioisótopos (a electricidade é gerada a partir do decaimento de várias unidades de óxido de plutónio-238) deverão silenciar-se... Mas as suas missões e feitos permanecerão edificantes na memória da exploração espacial.

 

António Piedade

 

Ciência na Imprensa Regional – Ciência Viva

 

Figura 1 - Voyager 2, lançada a 20 de Agosto de 1977, por um fogetão Titan IIIE/Centauro. Crédito imagem: NASA/JPL-Caltech. (http://voyager.jpl.nasa.gov/mission/interstellar.html).

Figura 2 - Trajectória percorrida pela sonda Voyager 2. Crédito imagem: NASA/JPL-Caltech

Figura 3 - Voyager 1 e 2 na região designada por heliopausa, para além da helioesfera, no limite da influência do Sol, na alvorada do espaço interestelar. Crédito imagem: NASA/JPL-Caltech. (http://voyager.jpl.nasa.gov/mission/index.html).

 

Figura 4 - O conteúdo do "Disco Dourado" foi seleccionado por uma comissão presidida por Carl Sagan. Crédito imagem: NASA/JPL-Caltech. (http://voyager.jpl.nasa.gov/spacecraft/goldenrec.html).

 


© 2012 - Ciência na Imprensa Regional / Ciência Viva


António Piedade

António Piedade é Bioquímico e Comunicador de Ciência. Publicou mais 500 artigos e crónicas de divulgação científica na imprensa portuguesa e 20 artigos em revistas científicas internacionais. É autor de sete livros de divulgação de ciência: "Íris Científica" (Mar da Palavra, 2005 - Plano Nacional de Leitura),"Caminhos de Ciência" com prefácio de Carlos Fiolhais (Imprensa Universidade de Coimbra, 2011), "Silêncio Prodigioso" (Ed. autor, 2012), "Íris Científica 2" (Ed. autor, 2014), "Diálogos com Ciência" (Ed. autor, 2015) prefaciado por Carlos Fiolhais, "Íris Científica 3" (Ed. autor, 2016), "Íris Científica 4" (Ed. autor, 2017).


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