Registo | Contactos

Filhos únicos mais obesos?

01 Out 2012 - 17h02 - 2.390 caracteres

Os filhos únicos são mais propensos a terem excesso de peso, ou mesmo a se tornarem obesos, do que as crianças com irmãos. É a conclusão de um estudo que envolveu 12700 crianças de oito países europeus.

As crianças que crescem sem irmãos apresentam um risco significativamente maior a 50 % de terem excesso de peso ou de serem obesos, do que crianças com irmãos. Esta é a conclusão de um estudo que envolveu 12 mil e 700 crianças, com idade compreendida entre os 2 e os 9 anos, efectuado em oito países europeus (Itália, Estónia, Chipre, Bélgica, Suécia, Hungria, Alemanha e Espanha), e publicado na revista “Nutrition and Diabetes” (Nutr Diab (2012) 2: e35; doi:10.1038/nutd.2012.8).

O estudo foi realizado no âmbito do projecto de investigação europeu de identificação e prevenção de efeitos de saúde e estilo de vida dietéticos em crianças e bebês (IDEFICS - www.idefics.eu), no qual investigadores de várias instituições europeias estudaram a dieta, estilo de vida, a obesidade e seus efeitos na saúde daquele conjunto de crianças.

No estudo, o índice de massa corporal (IMC) das crianças foi associado às respostas de um questionário dirigido aos pais que incluiu questões relacionadas aos hábitos alimentares das crianças, hábitos de ver televisão e quantidade de tempo de em actividades ao ar livre. Os resultados foram normalizados por outros factores influentes tais como o sexo, o peso ao nascimento e o peso dos pais.

“O nosso estudo revela uma relação entre a menor frequência de actividade ao ar livre, agregados familiares com baixos níveis de escolaridade, em que é mais recorrente a existência de televisão nos quartos onde dormem as crianças. Mas, mesmo quando levamos em conta esses fatores para normalizar os resultados, encontramos uma correlação estatisticamente significativa entre o facto de ser filho único e o excesso de peso. Ser filho único parece ser um factor de risco para o excesso de peso, independente de outros factores que se pensavam poder explicar a diferença”, diz Monica Hunsberger, uma investigadora da Academia Sahlgrenska, da Universidade de Gotemburgo, Suécia, que participou no estudo.

Novos estudos estão a ser desenvolvidos para tentar compreender as razões sociais, comportamentais, o contexto familiar, entre outros, que possam explicar melhor a correlação encontrada.

O estudo mostra ainda que a obesidade entre as crianças, em geral, é três vezes mais comum em países do sul, como Itália, Espanha e Chipre, do que na Suécia e em outros países do norte da Europa, continente onde se estima que mais de 22 milhões das crianças têm excesso de peso.

 

António Piedade

Ciência na Imprensa Regional – Ciência Viva

 

Referência do artigo:

M Hunsberger, A Formisano, L A Reisch, K Bammann, L Moreno, S De Henauw, D Molnar, M Tornaritis, T Veidebaum, A Siani e L Lissner. Overweight in singletons compared to children with siblings: the IDEFICS study. Nutrition and Diabetes (2012) 2, e35; doi:10.1038/nutd.2012.8

 


© 2012 - Ciência na Imprensa Regional / Ciência Viva


António Piedade

António Piedade é Bioquímico e Comunicador de Ciência. Publicou mais 500 artigos e crónicas de divulgação científica na imprensa portuguesa e 20 artigos em revistas científicas internacionais. É autor de sete livros de divulgação de ciência: "Íris Científica" (Mar da Palavra, 2005 - Plano Nacional de Leitura),"Caminhos de Ciência" com prefácio de Carlos Fiolhais (Imprensa Universidade de Coimbra, 2011), "Silêncio Prodigioso" (Ed. autor, 2012), "Íris Científica 2" (Ed. autor, 2014), "Diálogos com Ciência" (Ed. autor, 2015) prefaciado por Carlos Fiolhais, "Íris Científica 3" (Ed. autor, 2016), "Íris Científica 4" (Ed. autor, 2017).


Veja outros artigos deste/a autor/a.
Escreva ao autor deste texto

Ficheiros para download Jornais que já efectuaram download deste artigo